O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto, mantendo o maior patamar da série pelo segundo mês consecutivo. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A inadimplência também avançou e chegou a 29,9%. O cenário mais preocupante está entre as famílias com renda de até três salários mínimos. Nessa faixa, 85,1% possuem dívidas e o percentual de contas em atraso subiu de 38,5% para 38,8%.
Também aumentou entre os consumidores de menor renda a parcela que afirma não ter condições de quitar as dívidas, chegando a 18,3%. No conjunto das famílias brasileiras, esse indicador alcançou 12,5%, o maior nível desde fevereiro.
Outro sinal de pressão sobre o orçamento doméstico é o comprometimento da renda. Em agosto, 19,2% das famílias destinaram mais da metade dos ganhos ao pagamento de dívidas, maior percentual desde março.
Nas faixas de renda mais elevadas, houve melhora nos índices de inadimplência. A CNC, porém, projeta que o número de contas em atraso pode continuar crescendo no próximo trimestre, diante do comprometimento da renda e do aumento do tempo médio de atraso.