O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu nesta sexta-feira (11) um novo capítulo de tensão interna envolvendo as investigações do caso Banco Master. Uma troca de ofícios entre ministros revelou divergências sobre a manutenção de sigilos, o acesso a documentos e a condução dos procedimentos relacionados ao inquérito.
A crise ganhou força após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinar a liberação de documentos do chamado inquérito-mãe do caso. O relator das investigações, ministro André Mendonça, afirmou que não poderia tornar públicos todos os materiais, alegando que parte dos documentos envolve diligências em andamento, dados bancários e fiscais protegidos por sigilo.
Mendonça rebateu críticas do ministro Alexandre de Moraes, que acusou a existência de uma liberação “seletiva e direcionada” de informações. Segundo Moraes, 18 petições e cerca de 180 documentos ainda estariam protegidos, o que poderia favorecer um determinado grupo político envolvido nas apurações. Mendonça negou a acusação e afirmou que todo o material necessário para o julgamento previsto para terça-feira (15) já foi disponibilizado aos ministros.
A disputa também envolveu o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, que defendeu que Fachin assuma a condução dos processos relacionados ao caso Master. Para ele, a existência de diferentes procedimentos separados pode gerar decisões contraditórias e dificultar a análise do conjunto de fatos. Gilmar também afirmou ter dúvidas sobre a preparação do processo que será julgado pelo plenário e pediu que as questões preliminares sejam analisadas antes do mérito.
Outro ponto de divergência envolve os dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Cristiano Zanin solicitou acesso integral ao conteúdo, pedido reforçado por Moraes. Mendonça, porém, afirmou que o material está armazenado em cópia de segurança criptografada e que a divulgação do conteúdo poderia comprometer a investigação e a eficiência da persecução penal.
Além da disputa sobre os sigilos, Mendonça retirou o segredo de novas investigações relacionadas ao Banco Master, envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de apurações envolvendo o senador Ciro Nogueira, o senador Jaques Wagner e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.
A crise ainda alcançou a Polícia Federal. Mendonça defendeu o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, medida que havia sido determinada por ele e posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino. Fachin suspendeu a decisão de Dino e manteve Andrei no cargo até nova análise do Supremo.
O embate ocorre às vésperas do julgamento marcado para terça-feira (15), que deverá analisar questionamentos relacionados à investigação sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e à condução das apurações envolvendo o Banco Master. A disputa pública entre ministros expõe uma das maiores crises internas recentes da Corte.