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As quatro operações – Coluna do Prates

Por: Luiz Carlos Prates

01/02/2023 - 07:02 - Atualizada em: 01/02/2023 - 08:12

Uma coisa que muito me incomoda é a chamada “Educação Financeira”. O que mais me irrita é precisar alguém dispor-se a perder tempo com o óbvio diante de adultos, sonsos, eles e elas, que sabem bem o que estão fazendo.

Vamos lá. Todos nascemos sabendo das quatro operações, todos. Se você der um pirulito a uma criança, ela sorri, ganhou. Se der dois, você multiplica o sorriso, mas se logo depois dessa multiplicação vier outra criança e pegar um dos pirulitos da primeira criança, a perdedora abre um berro. Por quê?

Porque ela viu “subtraído” um dos seus antes multiplicados pirulitos… E assim ad aeternum. Sabemos somar, dividir, multiplicar e diminuir. Ninguém é trouxa, vem de berço esse saber. Minha fúria, leitora, resulta de uma manchete de jornal, esta – “Organizar o orçamento é essencial para manter as finanças em dia”.

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Era uma reportagem ensinando degrau a degrau como podemos “aprender” a nos organizar para que o salário do mês cubra as despesas, não falte e possa até mesmo sobrar para uma poupancinha… Agora, pergunto: quem não sabe disso?

Quem não sabe que o passo não pode ser maior que as pernas? A reportagem começava com ensinamentos sobre uma agenda que a pessoa deve adotar sobre quanto ganha e as despesas inevitáveis do mês.

Mais adiante, a lembrança de que devemos gastar no que é indispensável, prioritário, evitar os desperdícios. Enfim, a matéria se alongava nesse sentido, o sentido da obviedade que me irrita.

E me irrita porque os sonsos vivem se queixando do salário, dizendo que o dinheiro é curto, que não dá pra nada, mas… Não param de sair para festar, comer fora, viagens de lazer, claro, sempre com o cartão de crédito. Os irresponsáveis agem como se o cartão de crédito fosse dinheiro grátis e não um empréstimo de curto prazo.

Em resumo, essa é a história que me incomoda, a da educação financeira, que deve, imperiosamente, começar na cozinha da família, com os pais ensinando os filhos a gastar de modo prudente e ao mesmo tempo poupar, pensar no futuro.

Engraçado, os endividados que andam por aí sabem tantas e tantas “outras coisas”, ô, se sabem, mas se fazem de ingênuos com o salário e vivem jogando pedras na empresa onde trabalham pelo salário merreca que recebem. Recebem o merecido. Então, aprendam… Na soga.

SÁBIOS

Os japoneses têm um verbo – Gambaru – (pronúncia arremedada) que significa para nós “boa sorte”. Só que para os japoneses essa palavra tem outro sentido, ela vale por – faça o melhor possível, não desista, mantenha-se firme, insista, persevere. Por aí. Bem diferente de nós que desejamos “boa sorte”, quer dizer, espere contar com a sorte. Negativo, os japoneses têm razão, entrar firme no projeto, fazer o seu melhor. Confiar na sorte é para babacas.

REPÓRTERES

Impressionante a incompetência dos repórteres de rádio e tevê que ando ouvindo. Os caras enrolam até cansar o ouvinte para fazer uma pergunta simples ou descrever algum fato cotidiano. Não acham as palavras, dão voltas e voltas. Tudo poderia ser descrito ou perguntado em seis ou sete palavras. E as direções não os ouvem, não os cobram, não os treinam? A incompetência está na moda? Off…

FALTA DIZER

Mulheres, não confiem nem na sorte, preparem-se, arrumem “amigos” para defendê-las porque os brochas são perigosos. Ouça esta manchete: – “Medidas protetivas crescem 113º nas últimas semanas”. Informação do Tribunal de Justiça. E é bom não esquecer, medidas protetivas e nada são a mesma coisa. Elas não protegem ninguém, são fantasias “legais”.

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.