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Calar a boca

Por: Luiz Carlos Prates

05/09/2026 - 07:09

Por que as psicoterapias fazem sucesso? Porque os psicoterapeutas só ouvem, interpretam, mas não vivem os dramas alheios. Faz parte do jogo psicoterápico ouvir as pessoas contando de suas ansiedades e infelicidades. Isso acontecia também nas igrejas quando pessoas ingênuas contavam tudo de suas vidas para os “religiosos” que ficavam escondidos naquela casinha de madeira cheia de furinhos… O que muita gente não sabe é que por muito tempo essas confissões, dependendo dos seus conteúdos, eram repassadas aos ditadores no comando do povo. E como consequência das “confissões”, muitas pessoas foram queimadas em fogueiras. Nunca foi bom fazermos confissões, e o primeiro problema é sobre a pessoa que nos ouve. Um dia essa pessoa, hoje amiga, pode virar inimiga e aí… Ela vai repassar para todo o vilarejo o que um dia fizemos. Frequentemente precisamos de desabafar nossos sufocos emocionais, porém… A pergunta básica é – contar a quem? Alguma ingênua pode dizer: – Ah, contar para o marido! E eu digo daqui, não se arrisque, nunca se sabe do dia de amanhã e nem mesmo sobre o verdadeiro caráter das pessoas. Preserva a privacidade e a intimidade é uma habilidade que poucos têm. Quantas e quantas vezes ao longo da vida já suspiramos a frase: – “Meu Deus, eu não devia ter dito, contado o que contei!” Será tarde e as consequências podem ser de tudo um pouco, até mesmo o pior… Sim, pode haver pessoas honestas, silenciosamente éticas, mas achar essas pessoas exige algumas repetidas encarnações… O melhor de tudo é não correr o risco e viver mais tarde um inesquecível arrependimento. Ofensas são tão cáusticas quanto contar de nossos problemas. Uma ofensa, uma palavra que seja, pode ficar pelo resto da vida na cabeça de uma filha, filho, amigo, seja quem for… Na hora da ira sentimos ímpetos de colocar quem está à nossa frente no seu devido lugar, pelo menos é o que pensamos. E nada mais fácil que vociferar, contudo nada mais amargo para os arrependimentos posteriores. Encurtando a conversa, não estava errado quem um dia disse, pela primeira vez: – Fala, se queres que te conheça! A fala nos revela o bom caráter e também pode nos jogar no inferno…

JUSTIÇA

Uma coisa é o “teatro”, outra é a realidade. Teatro é uma encenação fantasiosa. E realidade o que é? Realidade virou enganação. Bom, se é assim, temos que trocar o símbolo grego da Justiça, uma mulher com os olhos vendados e segurando uma balança equilibrada… Se “houvesse” um desequilíbrio, quem estivesse “pesando fora da lei” teria que ser punido, fosse quem fosse. Onde isso? A deusa da Justiça no Brasil está pedindo aposentadoria, coitada, ela é muito ignorada em situações “especiais”, todavia… Cuidado, ela continua Deusa.

ELAS

Passei todos os anos da minha escolaridade, até mesmo mais tarde, na PUC/RS, ouvindo: “Não cobiçar a mulher do próximo”. Engraçado isso, nunca ouvi, todavia, o contrário: “Não cobiçar o homem da próxima”. Por quê? Porque o “poder” de conquistar, pintar e bordar é dos homens, foi o que foi inventado. Mudou? Mudou nada, aí da mulher que diga: – “Deu, acabou, tchau”!

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FALTA DIZER

Seguido ouço alguém falar de um casamento “errado”. Ao ouvir isso, só não subo pelas paredes porque não posso. Não existe surpresas na vida em relação às pessoas que nos cercam ou de nós se aproximam. Humanos revelam-se por todos os poros, é só abrirmos os olhos da consciência e pronto… O farsante vai ser mandado ao devido lugar… Sem desculpas mais tarde.

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.