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Gavetas vazias

Por: Luiz Carlos Prates

12/09/2026 - 07:09

Nós somos uma formidável enganação. Pensamos que somos o que somos por decisão nossa. Antes de entrar na garagem da nossa conversa de hoje, vou lembrar que não somos muito diferentes dos automóveis. Um carro pode sair da fábrica com um grave defeito, não rara essa possibilidade. Um carro que “nasça” com um defeito não irá longe na estrada… Vale para nós. Se a pessoa ao nascer trouxer uma severa doença ela nunca andará tranquila ou por si mesma na estrada da vida. Nada diferente de um carro. Nascemos com o potencial para ser e crescer, mas… Esse ser e crescer vão depender dos condicionamentos que nos foram passados pelos pais. Andamos pela vida pensando que somos livres para ser e fazer o que bem entendermos, porém… Esquecemos que nossas decisões resultam dos condicionamentos e dos exemplos que foram “empurrados” para dentro de nossa cabeça como, por exemplo, as crenças religiosas. Seguimos a família ou alguém que nos faça crer que a religião nos fará atingir os nossos desejos. Não existe religiosidade sem desejos, é enganação, mentira, quem disser que segue esta ou aquela religião porque nasceu com ela na alma. Nascemos como uma lousa de sala de aula, antes da aula, limpos, sem nada na cabeça. Nossos desejos e paixões resultam de condicionamentos, haja vista, por exemplo, que muitos acham feias pessoas que nasceram no outro lado do mundo, com olhos e narizes diferentes dos nossos. Condicionamentos puros. Ao nascer, somos “gavetas vazias”, mas tão pronto damos no nosso primeiro vagido, pronto, uma “multidão” passa a nos pressionar, condicionar. E se nascêssemos no meio do mato, sem ninguém por perto, quem nos condicionaria, quem nos faria seguir este ou aquele caminho? Nesse caso, nossa professora seria a Natureza e os bichos a viver nela. Infelizmente, somos cópias. Não somos o que pensamos ser, somos um resumo de muita gente, gente que nos cercou e cerca. Um carro precisa ser forte para passar sem danos por solavancos, buracos e lodos das estradas, vale o mesmo para nós. Nossa qualidade depende do que fizeram de nós, e hoje, mesmo pensando que somos livres, fazemos decisões sustentadas pelos valores que nos passaram e que pensamos ser nossos. Aliás, é bom dar uma olhada nas “gavetas” que temos em casa… Quantas inutilidades nelas? E na gaveta da nossa cabeça?

SAFADEZA

Onde entra o lucro sai a ética? Ando a procura de provas em contrário. Safadezas “comerciais”, por exemplo, estão em quase todas as prateleiras dos mercados. Fui comprar um pacotinho de amendoim, velho costume e gosto, porém… Quando cheguei ao pacotinho, ele era parecido com os anteriores, parecido. A quantidade no interior do pacote havia diminuído, não o preço. Esse tipo de safadeza está na ordem do dia no mercado. Nunca mais, saí decidido…

PROMESSAS

As promessas religiosas têm a cara dos penitentes. “Senhor, se eu for atendido, subirei as escadas da igreja de joelhos ou acenderei uma dúzia de velas”! Isso é um negócio, se eu for atendido vou “pagar” pelo atendimento… Nada disso. Queremos uma graça? Mudemos o comportamento, vivamos dentro da decência e não será preciso promessas “comerciais”. Que os negociantes da falsa fé não esqueçam, os santos não aceitam propinas. Eles não são políticos…

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FALTA DIZER

Um pet, um animalzinho caseiro acolhido não pela raça, mas por simpatia e “viralatice” produz nos seus acolhedores um formidável combate à solidão, distrai, não trai, não ataca, não ofende, ama e não pede nada. Nenhum humano chega perto desses valores… Au-au, miau-miau, venham aqui!

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.