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O dia em que Santa Catarina parou

Por: William Fritzke

19/09/2016 - 10:09 - Atualizada em: 19/09/2016 - 10:14

O relógio marcava 17 horas e 30 minutos. As sirenes de todas viaturas, sejam elas dos Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil ou IGP se juntaram em homenagem ao soldado Vinícius Alexandre Gonçalves, morto na madrugada de ontem, durante uma operação policial no Morro do Horácio, em Florianópolis. A ideia partiu do nobre comandante da PM de Santa Catarina, coronel Paulo Henrique Henn, o qual eu conheço e parabenizo. Sei que não irá trazer de volta o nobre policial, mas serve como forma de agradecer a família e mostrar para os demais integrantes da tropa que, juntas, as instituições são mais fortes e que ninguém ficará desamparado. Foi de arrepiar os pelos do braço, ver praça, oficial, delegado, agente, todos unidos em continência, em respeito a esse momento difícil.
Como o próprio coronel Paulo Henrique já disse, este é o momento mais desolador para um comandante. Perder um de seus guerreiros na batalha. Não uma batalha qualquer, uma batalha desleal contra a criminalidade, onde regras não existem, muito menos respeito a elas. Marginais ousados que zombam das leis…dessas leis arcaicas, retrógradas que não protegem o policial e nem o cidadão de bem. Que urge por mudanças. Até quando ficaremos reféns?
Hoje chora mais uma mãe, uma esposa, uma família, em um País onde se perde o maior número de policiais nesta guerra desleal contra o crime. Hoje a PM perdeu mais um irmão de farda comprometido, leal a uma causa onde o bem insiste em vencer.
Como outros que deixam suas residências para nunca mais voltar sob a vocação de dar sua própria vida em prol de outra, que jamais viu. Parafraseando o nobre comandante, digo: irmão Alexandre você não partiu, tornou uma estrela a iluminar todos policiais e irá fortalecê-los para que continuem na difícil e incompreendida missão de aplicar leis e proteger vidas, até mesmo daquele que tua vida tirou. A PM jamais desistirá, não só pelo soldado Alexandre, mas também por tantos outros que nos deixaram.
Entenda a história

O policial militar Vinícius Alexandre Gonçalves, de 31 anos, foi enterrado com honras militares na tarde desta sexta-feira (16) em Florianópolis. Ele morreu por volta da 0h de sexta, após levar um tiro na comunidade Morro do Horácio, em Florianópolis. Ele foi atingido entre o cinto e o colete, na pélvis, durante uma abordagem a marginais. Ele estava na corporação desde 2011. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, decretou luto oficial em todo o estado nesta sexta pela morte do soldado. Outro marginal também morreu baleado na mesma madrugada, durante as buscas por suspeitos de envolvimento na morte. Um suspeito de ter atirado deu entrada no Hospital Universitário com ferimentos por arma de fogo, passou por cirurgia e está detido no quarto. O homem tem 27 anos e passagens por posse de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Mais tarde, um adolescente de 16 anos suspeito de participar da ação também foi detido, segundo a PM. Esses podem ter certeza que esse crime não ficará impune, e que as mais severas punições serão aplicadas. Vagabundos!

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William Fritzke

Repórter especialista em segurança e apresentador do programa Plantão Policial.