O Quest divulgou na quarta-feira sua mais recente rodada e confirmou o que outros três institutos já haviam sinalizado: o crescimento do escritor e psiquiatra Augusto Cury, batendo mais uma vez nos dois dígitos. O fato novo está consolidado. Não é ruído, não é pico isolado. É tendência. A incógnita é até onde ele vai chegar.
Quem ele está trazendo
O que chama atenção agora é de onde vem esse crescimento. Ficou muito caracterizado que Cury está atraindo aquele eleitorado que quer distância da polarização: os que iam se abster, anular ou votar em branco. Os tais “isentões”. Ele está trazendo esse contingente de volta ao processo eleitoral. De Lula e de Flávio Bolsonaro praticamente nada saiu. Os dois mantiveram sua intenção de voto. Cury subtraiu foi da já debilitadíssima situação dos demais candidatos, que nessa última pesquisa totalizam apenas seis pontos. Renan com três, Zema e Caiado com um cada e o candidato do PSTU com mais um. Juntos têm pouco mais da metade do que o presidenciável do Avante conquistou em pouco mais de uma semana.
15 pontos podem forçar o segundo turno
Se Augusto Cury chegar a 15 ou 20 pontos, e a projeção mais provável é a de 15, isso pode provocar necessariamente o segundo turno. O Palácio do Planalto e o PT apostavam em liquidar a fatura no primeiro, porque no segundo complica. O próprio presidente Lula tem confidenciado isso em conversas reservadas com aliados e correligionários. A presença de Cury não fura a bolha da polarização, mas pode representar algo muito interessante para o candidato da oposição que chegar ao segundo turno. E tem tudo para ser Flávio Bolsonaro.
PL não ataca Cury por acaso
Não é por acaso que o PL não tem alvejado Augusto Cury. A tendência é que ele possa ajudar Flávio lá à frente. No segundo turno, um eleitor que votou em Cury no primeiro, frustrado com a polarização, tem muito mais chance de migrar para o campo conservador do que para o lulismo. O PL enxerga isso e está estrategicamente quieto.
De 13 pontos para empate técnico
Os números do segundo turno falam por si. Há dois meses, a vantagem de Lula sobre Flávio era de oito pontos. Hoje é de apenas um. No mesmo momento da eleição passada, há pouco mais de trinta dias do pleito, a vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro era de treze pontos. Treze. Hoje é sete no primeiro turno, praticamente a metade. O quadro está absolutamente indefinido.
A crise do Supremo pesa no colo de Lula
E há ainda a situação adicional da crise no Supremo Tribunal Federal, que tem tudo para enfraquecer a candidatura governista. Lula só saiu da prisão e foi colocado na presidência da República graças ao Supremo. Na disputa eleitoral, graças a Alexandre de Moraes como presidente do TSE. Ele deve isso. E o conluio entre Planalto e Supremo está muito claro à luz do dia para o eleitorado. As revelações escandalosas e vergonhosas sobre a promiscuidade de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro tornam a situação ainda mais delicada para quem está no poder.