A eterna vigilância. O preço da liberdade é mesmo o da eterna vigilância. Quem disse isso de modo retumbante foi um presidente americano, Abraham Lincoln. Ele se referia à soberania nacional, mas nós podemos trazer a sentença para o cotidiano de nossas vidas.
Li há pouco sobre uma das nossas maiores figuras olímpicas, figura muitíssimo laureada na Olímpiada de Londres e sobre quem repousava elevada expectativa nestas Olimpíadas brasileiras. A pessoa perdeu a medalha, a que seria a segunda.
O que houve? Muitas coisa, mas a mais importante é que depois da conquista em Londres ela se desatentou diante dos cuidados de que nunca se devia ter descuidado. Engordou muitos quilos, perdeu o foco, aquelas coisas. Ah, companheira, para reencontrar isso mais tarde é mais que difícil, é dificílimo.
Vale para tudo na vida. Vale para o casamento. Você sabe que até colocar a argola no pescoço dele ou dela, um e outro fazem o que podem e o que não podem para conquistar a pessoa… Depois da conquista, o relaxamento. E esse relaxamento pode chegar aos extremos das descortesias. E tudo acaba no discutido e brigado divórcio.
Vale para quem muito quis entrar numa empresa, trabalhar nela, nela se realizar. O sujeito pinta e borda pela vaga. Conquista a vaga. No início faz de tudo, não cobra nada, não se queixa de nada, é um excelente funcionário… Passado um tempinho, o sujeito entra nos trilhos da acomodação, da rotina, do tédio, dos queixumes e do desatentar-se na produtividade. Acaba demitido.
Todos somos mais ou menos assim em tudo, lutamos muito até a conquista, depois… depois “adormecemos”, e esquecemos o presidente Lincoln – que o preço da liberdade (das nossas conquistas) é a eterna vigilância.
– Ah, mas isso é natural, Prates! – Tudo bem, que o seja, mas não nos essenciais da nossa vida, dos nossos valores mais altos. Cuidado, a escada da vida é muito escorregadia, um piscar de olhos e lá vamos nós, escada abaixo…
Ou como é que você vai consertar, de uma vez só, um casamento que está em pedaços depois de acumuladas desatenções, como?
Sei, é humano conseguir e relaxar, tudo bem, faz parte do jogo, mas… Há coisas que não vamos querer perder nunca, logo, a saída é a eterna vigilância.
TRUQUE
Não tolero a estúpida perda de tempo das pessoas, não tolero. E mais ainda quando o sujeito se alça a alguma coisa… E todos se acham alguma coisa… Acabo de ver um “notável” do telejornalismo de uma “grande” emissora de televisão dizendo-se viciado em Pokémon. Aí não dá. Um cara desses devia dizer-se viciado em leitura de jornais (matéria-prima de seu trabalho diário), devia dizer-se viciado em livros… qual nada, o pateta disse-se viciado em brinquedo eletrônico. Típico…
FALTA DIZER
Há os que ficam irados quando falo dos “patetas” que perdem tempo com essas tolices eletrônicas inventadas para encher de dinheiro os cofres dos seus inventores… Mas os inteligentes não ficam irados, entendem que é para o bem deles. Ler jornais, livros, boas revistas, consultar dicionários, leva os camaradas a um poder que muitos nem de longe imaginam que podem ter. É só isso, chapas!