Durante muito tempo, campanha eleitoral no Brasil foi marcada por uma variedade maior de materiais. Cavaletes, placas, faixas e outras formas de propaganda faziam parte das ruas. Com o endurecimento das regras, muita coisa desapareceu, e o wind banner acabou ganhando espaço como uma das poucas alternativas de propaganda visível permitidas além do digital.
Há uma lógica eleitoral nisso. Candidato precisa ser visto, o nome precisa ser lembrado e a imagem precisa chegar ao eleitor. O problema começa quando todos têm a mesma estratégia. Em Jaraguá do Sul, já há reclamações sobre o excesso desses materiais. E não se trata necessariamente de rejeição a um candidato, mas da sensação de que a propaganda está ocupando espaço demais.
Estão passando dos limites?
A 17ª Promotoria Eleitoral anunciou que vai ampliar a fiscalização em Jaraguá e Schroeder. O Ministério Público quer verificar se bandeiras, wind banners e outras estruturas estão sendo usados dentro das regras, principalmente quando dificultam a passagem de pedestres e veículos, comprometem a acessibilidade ou permanecem em locais públicos fora dos horários permitidos.
Jaraguá ainda parece mais leve que outras regiões, onde determinados pontos já estão tomados por propaganda. E existe outro ingrediente: os candidatos locais se somam os de fora, todos disputando o mesmo espaço e a atenção do eleitor.
Quanto mais material todos colocam, menos cada candidato consegue se destacar. A paisagem fica carregada, os nomes se misturam e aquilo que deveria produzir lembrança pode produzir apenas cansaço.
No fim, eleição também é uma disputa por atenção. Mas política não se faz apenas ocupando espaço físico. Quando a propaganda começa a incomodar quem deveria ser conquistado, talvez seja hora de lembrar que o eleitor não é apenas um espectador da campanha. Ele também é dono da rua por onde passa.