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Uma parada torta – Leia a coluna de Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

31/01/2023 - 05:01

Onde tu queres ir com esse título, Prates, parada torta? Quero pousar o teco-teco das nossas inquietações, leitora, no aeroporto da paz. Será que existe um aeroporto da paz para os humanos?

Se houver, ninguém sabe onde ele está, andamos voando como moscas tontas desde que fomos “expulsos” do paraíso. Paraíso, estou cansado de dizer, só há um: o ventre materno.

Uma vez “expulsos” desse paraíso, babaus, vamos no coçar numa tuna pelo resto da vida. O que quero dizer com “parada torta” é a nossa inquietação com a velhice.

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Os jovens não têm ideia do que seja a velhice, eles apenas observam os “velhos”, observam como a um filme de ficção… Mas não é um filme de ficção, é um filme de “condenação”, ou não, tudo vai depender do modo de pensar da cabeça da pessoa.

A velhice do corpo nós vemos no espelho, olhamos e bah, que horror estas rugas, este queixo caído, estas pálpebras deste jeito, isso e mais aquilo. Reprovações continuadas à medida que o tempo vai passando.

Tudo bem, faz parte do jogo, todavia… O modo de nos olharmos no espelho da vida é uma questão pessoal, muitos se olham no espelho do banheiro, mas não suspiram contra as rugas, suspiram pela vida que levam. E aqui está a parada torta.

O pior da velhice é a velhice dos pensamentos, dos conceitos, das crenças, dos condicionamentos, do modo, enfim, errado de viver. Se não podemos rejuvenescer o corpo, podemos rever a cabeça. É na cabeça que está a pior das nossas velhices.

Conheço muitos idosos, mais elas que eles, com saúde e uma formidável simpatia, alegria mesmo. E são pessoas bem idosas, nesses casos não são velhas. Velhos são os que envelheceram a cabeça, que deixaram a cabeça envelhecer. Cabeças que os fazem viver

sofridamente a idade avançada. Esse é o pior ou o único e verdadeiro envelhecimento. Agora tem uma coisa, se o “tratamento” contra esse envelhecimento não for algo natural na pessoa ou iniciado bem cedo, babaus, não haverá mais volta.

Uma alma jovem, chamemos de alma o modo de pensar e ver a vida, é o único antídoto contra a velhice tanto do corpo quanto da vida. É para poucos, ainda que seja potencialmente para todos. Livros, aliás, são bons cosméticos e fortificantes vitamínicos…

TRISTEZAS

Até quando os “administradores” vão manter esse ambiente tétrico? Se você quiser se deprimir, ficar ansioso, mais pra baixo, vá a uma igreja. Você não vai ver sorrisos, não vai ver gente disposta a um abraço, a um beijo, a uma sacudida, enfim, para uma vida alegre e sem pesos. Nada disso. Igrejas são ambientes depressivos e onde é alimentado o sentimento de culpa, a visão do inferno. Os sensatos sabem que quem quer conversar com – deus – não precisa sair de casa. Os sensatos, eu disse.

VIDAS

Acabei de ouvir um sujeito muito bem alicerçado por conhecimentos religiosos que garantia, enfaticamente, sobre nossas vidas passadas. Ouvi, não o contestei, mas lembrei-me de Mário Quintana, o poeta gaúcho. Mário dizia que reencarnação, vidas passadas, era com botar na cadeia uma pessoa que não sabe do crime que cometeu… Sem consciência nesta vida dos pecados de uma “vida passada”, de fato, é refinada tolice…

FALTA DIZER

O amaldiçoado comprovadamente matou, mas… A manchete sobre ele dizia – “Assassino de G.C. continua detido após audiência de custódia”. Queriam o quê, que o verme estivesse em casa, livre? Isso tem que acabar, matou uma mulher vai morrer ou ficar na cadeia pelo resto dos tempos. Ou…

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.