Crianças e jovens de dois a 18 anos devem limitar a ingestão de açúcar adicionado em suas dietas no máximo seis colheres de chá por dia, o equivalente a 25 gramas e 100 calorias, enquanto os bebês mais novos devem evitar por completo qualquer açúcar extra em seus alimentos. As recomendações foram feitas por especialistas da Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) em artigo publicado no periódico científico “Circulation”, editado pela própria AHA, após revisão de diversos estudos sobre o consumo de açúcar e seus efeitos na saúde de crianças e jovens.
Os especialistas apontam como açúcar adicionado quaisquer açúcares – incluindo o açúcar normal (glicose), frutose ou mel – usados no processamento ou preparação de alimentos ou bebidas, acrescidos a eles à mesa ou ingeridos em separado nas refeições. A partir de 2018, a indústria alimentícia dos EUA será obrigada a informar nos rótulos as quantidades açúcares adicionados em seus produtos, o que segundo a associação vai facilitar o cumprimento de suas novas recomendações.
“Nossa recomendação é a mesma para todas as crianças entre as idades de dois a 18 anos para mantê-la simples para os pais e ativistas pela saúde pública”, diz Miriam Vos, cientista da nutrição, professora de pediatria da Escola de Medicina da Universidade Emory em Atlanta, no estado americano da Geórgia, e principal autora do artigo. Segundo os cientistas, estudos indicam que o consumo de açúcar adicionado a alimentos na infância está ligado ao desenvolvimento de fatores de risco para doenças cardíacas, como obesidade e hipertensão.
Crianças obesas que continuam a ingerir grandes quantidades de açúcar extra em suas dietas também têm maiores chances de apresentar resistência à insulina, condição precursora do diabetes do tipo 2. Além disso, crianças e jovens que comem alimentos repletos de açúcares adicionados tendem a ingerir menos comidas mais saudáveis como frutas, vegetais, farinhas integrais e laticínios com poucas gorduras, destaca Miriam.
“Há uma falta de clareza e consenso sobre quanto açúcar extra é seguro, então o açúcar continua a ser um ingrediente comumente adicionado a alimentos e bebidas e seu consumo em geral pelas crianças continua alto, com a criança típica americana ingerindo aproximadamente o triplo da quantidade recomendada de açúcares adicionados”, conta a médica e cientista nutricional.
Segundo Miriam, até que as informações sobre os açúcares adicionados aos alimentos seja incluída nos rótulos, pais e responsáveis devem procurar oferecer opções mais saudáveis de alimentação para as crianças, que incluem as já citadas frutas, vegetais, farinhas integrais e laticínios, além de carnes magras, aves e peixes, e limitar o consumo de alimentos com baixo valor nutricional, assim como de bebidas açucaradas que são as principais fontes de açúcar extra como refrigerantes, isotônicos e energéticos.