Era para ser mais um dia normal na escola de dança Ponto Ser, em Jaraguá do Sul. Mas, ao abrir a porta, o professor Paulo Cézar Almuas se deparou com vários gambas aos arredores do espaço, muitos deles estavam espalhados pelos corredores do imóvel, chegando a dividir o local com os alunos.
Este é o problema que os funcionários da instituição enfrentam há sete anos. Eles estão preocupados com a quantidade de animais que estão aparecendo na unidade, localizada na rua Presidente Juscelino, próximo ao supermercado Giassi, no centro da cidade. Em uma semana, foi possível capturar 13 gambás.
Os funcionários perceberam que algo estava estranho quando começaram a desaparecer alguns animais que havia nos fundos da escola. “Tínhamos uns peixes e patos. Levaram tudo para a ninhada”, acredita.

Os mamíferos chegam a urinar nas paredes da unidade | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Os problemas não param por aí. Paulo relembra que um dia não estava dando para aguentar o odor. Segundo ele, os gambás chegaram a entrar dentro de uma caixa d’água desativada, quando chegou por perto o funcionário teve uma surpresa. “Fui dar uma olhada e percebi que havia dois mortos lá dentro que não conseguiram sair”, explica.
A proprietária da escola, Celenir Schmitz, revela que os animais chegaram a invadir a cozinha. “Para você ter uma ideia, eles ficam no meio das nossas crianças. É horrível”, reclama.
De acordo com Paulo, o caso já foi denunciado para a Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente), mas de acordo com a escola, o órgão não resolveu a situação.
Para contornar o problema e com receio devido à presença dos alunos, Almuas explica que está levando os gambás nas proximidades do Samae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).

Foto Arquivo Pessoal
Em sua opinião, é preciso delimitar as áreas para que eles não se proliferem. “Eu nunca vi tanto gambá na área urbana. Algo precisa ser feito para analisar uma série de fatores. É uma questão de saúde pública”, explica.
Ao andar pelo local, é possível verificar a quantidade de urina do animal nas paredes da escola. Paulo salienta que mesmo com os lixeiros apropriados os bichos invadem o espaço. “Apenas um dia aconteceu de um funcionário esquecer a porta aberta. Eles entraram e fizeram a festa”, revela.
Fujama vai averiguar situação
De acordo o presidente da Fujama, Normando Zitta Júnior, nenhuma notificação sobre o caso chegou aos responsáveis porque na época da denúncia o órgão não contava com um canal de ouvidoria.
Zitta garante que uma equipe visitará o local nesta quinta-feira (4) para verificar a situação e conversar com os moradores afetados.
Segundo ele, quando animais silvestres invadem alguma residência, a empresa deve ser comunicada imediatamente para que profissionais preparados retirem o animal e levem para o seu habitat.
Prevenção
De acordo com o biólogo da Fujama, Gilberto Ademar Duwe, o gambá é um mamífero que acabou se adaptando na área urbana. Ele revela que o animal não representa risco para o ser humano. “Mais ajuda do que atrapalha. Ele é um controlador de praga. Se alimenta de insetos e escorpiões”, explica.
Duwe salienta ainda que nesta época do ano, as fêmeas estão se procriando, o que facilita a aparição desses mamíferos. Gilberto alerta que não adianta retirar o bicho do local e colocar em outro ambiente. “Você tira um, vai vir outro, não vai resolver o problema”, pontua.
O biólogo explica que como o gambá não possui um predador, e existe comida em abundância, ele vai acabar se proliferando. “O que orientamos é procurar os animais que estão entrando e fechar o forro”, revela.
Outra alternativa, segundo Duwe, é verificar os lixeiros. Porém, ressalta que vai diminuir e não impedir que eles invadam o espaço. Para dúvidas sobre como lidar com animais silvestres, Gilberto explica que a Fujama está a disposição para esclarecimentos.
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