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“Guaramirim vai crescer e para isso precisa de gestores com visão”

Com a sala organizada e em estilo empresarial, Fröhlich afirma que a estruturação administrativa deve incrementar a arrecadação tributária da Prefeitura - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online

Por: OCP News Jaraguá do Sul

02/09/2016 - 04:09

O prefeito de Guaramirim, Lauro Fröhlich (PSD), é daquelas pessoas que gostam de planejar a rotina. Quando recebeu a reportagem do OCP em sua sala, na manhã de ontem (1º), o político já havia arrumado as cadeiras e separado os papéis que serviriam de cenário para a entrevista do dia. Demonstrava-se preparado.

frase1A organização do espaço, que lembra muito uma sala de reuniões empresarial, transmite um cuidado com os detalhes, ao mesmo tempo em que remete ao rigor de quem é acostumado a atuar na gestão privada.

Faltando quatro meses para encerrar seu mandato, Fröhlich avalia que a necessidade de organizar questões administrativas da Prefeitura prejudicou o avanço em outros setores, como infraestrutura, situação também agravada pela crise econômica do país. Decidindo não disputar à reeleição, Fröhlich apoia a candidatura do atual vice-prefeito Paulo Veloso (PR), com quem o PSD compôs aliança majoritária.

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O que o senhor destacaria em termos de investimentos feitos no município nos últimos anos?
Até o fim do mandato teremos inaugurado quatro postos de saúde, na busca de poder oferecer à comunidade uma estrutura melhor. Na educação, fizemos 25 salas de aula, utilizando recursos próprios e algumas emendas. Em termos de infraestrutura, estamos com quatro pontes dos chamados kit transposição já instaladas, e assinei mais dois kits para os quais já estamos fazendo as cabeceiras. Construímos também a ponte do Putanga, de 56 metros, e temos duas em andamento ao lado do ribeirão Salto, no valor de R$ 2 milhões em recursos buscados por meio da Defesa Civil. São nove pontes no total. A décima é a ponte do Bananal, que está faltando uma contrapartida do governo do Estado para podermos retomar as obras. Temos ainda a questão de compra de maquinário. Foram R$ 2,7 milhões em equipamentos que compramos por financiamento, e R$ 4,5 milhões em equipamentos que ganhamos do governo federal, como patrola, caminhão, retroescavadeira. Investimos no PMAT (Programa de Modernização Administração Tributária), que é a maior e a melhor ação que estamos fazendo, porque ela vem reestruturar e atualizar o Município, já que sofremos as consequências de no passado não ter sido feita a atualização de valores e tarifas. Também investimos no plano diretor e o plano de saneamento básico, que o município não possuía.

Quais os problemas o senhor encontrou na Prefeitura?
A gestão pública tem a parte política, mas também é preciso olhar a parte administrativa com mais seriedade. Não se pode deixar de atualizar valores e tarifas por medo de perder voto. O Município cobre o contrato de recolhimento do lixo colocando cerca de R$ 1,5 milhão, sendo que o lixo é de responsabilidade da sociedade que o produz, o Município só autoriza a concessão. Esse dinheiro faz muita falta agora, na saúde, na educação. Outro exemplo: a planta de valores do município. Nosso cadastro está com 30% de deficiência, não por culpa do contribuinte, mas por culpa de gestores que estavam aqui e não cuidaram. Só para ter ideia o quanto estamos defasados, Timbó, que tem valor imobiliário pouco melhor que o nosso e 40 mil habitantes, recolhe cerca de R$ 6,2 milhões de IPTU. Aqui não chegamos a R$ 3 milhões. Da mesma forma, sem o plano de saneamento, não tinha como buscar investimentos. Agora o próximo prefeito tem a ferramenta pronta na mão e pode buscar recursos porque tem um planejamento, de curto, médio e longo prazo.

O senhor acredita que isso prejudicou seu governo, de alguma forma?
A sociedade não vê isso, ela vê se fez asfalto, se a estrada está boa, se o atendimento no posto de saúde está bom, se na escola está bom, o que é importante também, mas quanto nós gastamos para fazer o que os outros não fizeram? Tem que fazer a parte administrativa, aumentar a receita municipal, porque se tem uma crise o Município ainda tem valores, tem uma base de sustentação. Esse R$ 1,5 milhão do lixo quanto não ajudaria agora, nessa crise. Mais R$ 3 milhões do IPTU, eu teria R$ 4,5 milhões e poderia estar fazendo ações dentro da crise, assim como outros municípios.

frase2Que avaliação faz do seu governo, em relação ao modelo de gestão que se propôs a aplicar na Prefeitura?
Se for para eu avaliar as decisões que tomamos, mesmo morosas, mas que se fez necessário para vida da Prefeitura perante a sociedade, com a coragem e dinâmica de pessoas que me auxiliaram a peitar esse desafio, dou nota dez, porque tivemos responsabilidade de olhar para sociedade. Independente de questões políticas, estamos olhando o povo que está lá fora e que esperava ações. Não pudemos fazer ações concretas financeiras, mas fizemos o que melhor poderia ser feito, que é tratar com seriedade e profissionalismo essa grande Prefeitura, para que ela possa continuar.

O senhor avalia que atingiu as demandas da população ou precisou focar em organizar a administração?
Das demandas sociais, conseguimos manter a saúde, a educação e o desenvolvimento social, onde se trabalha mais diretamente com pessoas e há necessidade de atendimento. Temos ainda uma grande deficiência na infraestrutura, porque falta dinheiro para isso. Há também deficiência em outras ações, como a Casa da Cultura, mas tivemos que cortar para dar sustentabilidade àquilo que é essencial. É claro que vários segmentos foram prejudicados. Como a praça, por exemplo, tinha um novo projeto para buscar recursos, mas não consegui. O ginásio de esportes que precisava de reforma completa. Tantas ruas que precisam de pavimentação. Infelizmente não deu. Então, vamos cuidar daquilo que é essencial e da estrutura do município, para que outros prefeitos possam usufruir destes benefícios.

Sobre a decisão de não ir à reeleição, a motivação foi pessoal ou partidária?
Sempre falei que era candidato à reeleição, que estava aberto ao diálogo, e que se houvesse outro nome, trabalharia para esse nome. Nunca falei que eu não iria para reeleição, mas eu tinha forte na minha consciência a palavra que empenhei há quatro anos, quando disse que queria espaço para um mandato. E isso levei até o último instante. Mas por que eu não disse isso lá atrás? Porque com certeza não teria conseguido R$ 13,1 milhões em emendas e propostas para o município. Tenho que honrar meu eleitor. Mas vou continuar fazendo política e quem sabe um dia estarei de volta.

frase3Qual expectativa para o próximo gestor?
A expectativa é que seja o melhor possível. Que se crie uma dinâmica em que Guaramirim cresça, aproveitando os projetos e a reestruturação que fizemos. E que o resultado seja o melhor possível para o crescimento do município, que está estrategicamente localizado e cada vez mais se acentua isso. Guaramirim vai crescer, sem dúvida, e para isso precisa de gestores com visão e responsabilidade, de ações políticas sérias, verdadeiras e inovadoras.

E quais os planos daqui para frente?
O tempo dirá. Até lá, vou estar à disposição da sociedade. Quero renuir grupos pequenos, de 20 pessoas, nos bairros, para ter conversas bem abertas, tirando as dúvidas e levando conhecimento sobre o funcionamento da Prefeitura. Explicar, por exemplo, que existem diferentes fontes de recursos, que são destinados para ações diferentes. Tem muitas coisas que a sociedade quer saber. Eu quero fazer política nesse sentido, trabalhar com as lideranças para formar um melhor conceito da sociedade. Também vou voltar a cuidar da minha empresa. Mas primeiro quero descansar um pouco, tirar uns 30 dias de férias, depois, vou tocar minha vida e o  tempo dirá depois como vai ser.

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Publicação da Rede OCP de Comunicação