O jogo era Brasil x Noruega. No campo, a seleção feminina de handebol lutava para manter o domínio da partida. A cada lance, a emoção toma conta da plateia. A cada gol, a comemoração da torcida brasileira. Lá no meio, quatro jaraguaenses vivenciavam, pela primeira vez, a emoção de assistir de perto a um jogo do Brasil nas Olimpíadas. Enquanto a seleção derrotava a Noruega, Rodrigo de Carvalho, de 42 anos, e a esposa Ana Lúcia Santos, de 47 anos, só tinham certeza de uma coisa: aquela seria uma experiência inesquecível.
Gaúchos de nascença, mas jaraguaenses de coração, Rodrigo e Ana Lúcia sempre se interessaram pelo esporte. Por isso, quando surgiu a confirmação de que o Brasil seria sede das Olimpíadas, o casal fez questão de planejar uma viagem para conferir os jogos ao lado das filhas, Amanda e Manuela. “Foi um ano e meio de preparação, buscando ingressos e planejando os detalhes”, conta Rodrigo, que é engenheiro elétrico.
No dia cinco de agosto a família desembarcou no Rio de Janeiro. Logo de cara, o que mais surpreendeu foi a miscigenação de culturas: segundo Ana Lúcia, já no aeroporto era possível notar os diferentes idiomas e sotaques, todos em tom de alegria. “Esse clima constante de festa, que depois se manteve indiferente aos resultados. Era algo contagiante”, relembra.

Outro aspecto que chamou a atenção da família foi a organização. Rodrigo conta que apesar de dependerem exclusivamente do transporte público, a família nunca teve que esperar mais de 10 minutos para seguir viagem. “Quando utilizamos o VLT me surpreendi, parecia até que eu estava em outro país”, complementa Amanda, de 19 anos. No local dos jogos a sensação foi a mesma. “A estrutura superou todas as expectativas”, salienta Ana Lúcia.
Durante os nove dias em que permaneceram no Rio de Janeiro, a rotina deles foi agitada. Isso porque eles garantiram ingressos para cerca de 20 jogos de diferentes modalidades, do pólo aquático ao hóquei na grama, do boxe à canoagem. “Às vezes acordávamos às 6h30 e chegávamos no hotel depois da meia noite”, relembra Rodrigo. Teve dias em que a família acompanhou quatro jogos, uma verdadeira maratona.
Os confrontos no basquete, em especial, tiveram um gostinho a mais para a família. É que Manoela, de 17 anos, é jogadora e treina duro em Jaraguá do Sul ao lado do técnico Julio César Patrício – que participou dos Jogos como auxiliar técnico da seleção feminina da modalidade. Além da emoção de ver os ídolos de perto, a experiência também serviu de incentivo para a jovem continuar no esporte. “O mais engraçado é que encontramos o treinador Julio lá no Rio, apesar de a cidade ser tão grande e estar tão cheia”, conta ela.
Para Ana Júlia, a melhor parte foi vivenciar de perto o clima de confraternização que tomou conta da cidade. “O Rio já tem um clima de aconchego, mas agora, em especial, foi algo muito mais intenso. Víamos os próprios moradores da cidade satisfeitos com o evento. É claro que sempre tem que reclame, mas por lá a sensação era muito positiva”, descreve. Segundo ela, a torcida foi um show a parte. “A torcida do Brasil é muito intensa, sem comparação”, diz.
De volta à Jaraguá do Sul, onde desembarcaram no dia 14 de agosto, a família ainda fez questão de assistir ao encerramento das Olimpíadas pela televisão. Como lembrança, ficam os momentos de emoção e uma lição importante: a de que vale a pena acreditar no potencial brasileiro. “Temos que aprender a valorizar o que temos de bom e a mostrar mais as coisas positivas”, acredita Amanda. O pai Rodrigo concorda, e complementa: “As outras Olimpíadas até podem ser mais organizadas, mas a energia que vimos lá só tem aqui”, diz, sorrindo. “Uma pena que acabou”.
