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Mais de três décadas dedicadas à advocacia

Crédito: Divulgação

Por: OCP News Vale

28/03/2022 - 16:03 - Atualizada em: 28/03/2022 - 16:50

Sandra Krieger Gonçalves é sócia do escritório Krieger Advogados e Associados, fundado em 1997. Com 32 anos de exercício da advocacia, a profissional já ocupou vários cargos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) dentre os quais Conselheira Federal pela Seccional de Santa Catarina por dois mandatos (2016/2021).

Também eleita pela OAB, foi Conselheira Nacional do Ministério Público em Brasília. “Toda a minha trajetória profissional é vinculada ao pleno exercício da advocacia, tanto privada quanto pública”, conta Sandra, que começou a carreira como Procuradora Geral do Município de Blumenau, sendo a primeira mulher a ocupar tal cargo. É também professora concursada da FURB, com Mestrado e Doutorado em Ciência Jurídica.

Nesta entrevista à segunda edição do projeto Mulheres que Inspiram, realizado pela Contax Contabilidade e Planejamento Tributário e apoio da Presse Comunicação e OCP News Vale, ela conta um pouco sobre sua trajetória profissional.

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– Em algum momento, você imaginou chegar onde está profissionalmente?

Nunca imaginei minha trajetória, fui apenas me desafiando a cada passo. Fiz tudo ao mesmo tempo: a carreira na advocacia privada, a academia, a política institucional. Foram muitos anos de trabalho sempre, muito estudo e dedicação. E até pouco tempo atrás não me percebia como uma mulher que construía espaços não apenas para si, mas para as mulheres que hoje em dia se identificam comigo.

– Tem algum marco importante na sua vida profissional? Conte-nos.

Na minha vida profissional, um momento marcante foi a minha colação de grau em Direito na UFSC. Eu sabia intuitivamente que tinha nascido para ser advogada e aquele momento foi mágico para mim. Foi a advocacia que me proporcionou tudo o que tenho.

Mais de trinta anos se passaram e tomei posse no Cargo de Conselheira do CNMP, outro momento especial da minha trajetória, recebida pelo Dr. Augusto Aras, num dos órgãos mais importantes do Sistema de Justiça, advogada, mulher, vinda de uma cidade do interior e sendo uma das raras mulheres a ocupar aquele lugar.

Em todos os trajetos de Blumenau a Brasília, que são bastante longos, me passa a sensação que estou vivendo várias vidas em uma só. E isso é maravilhoso.

– Como concilia a maternidade com a vida profissional?

Tenho três filhos, já adultos. João Gabriel e João Vítor são advogados também e Maria Eduarda está no último ano da faculdade de Medicina. Eles são um presente de Deus. Todos foram muito companheiros, sempre cuidaram uns dos outros. Esse relacionamento de muito amor e companheirismo com os três me proporciona uma sensação de alegria emotiva sempre. Faço parte de uma grande parcela da população feminina do Brasil que faz a carreira sustentando seus filhos. Ter proporcionado a eles uma educação de qualidade, uma bela formação universitária, conforto e uma vida com perspectivas de futuro foi realmente um desafio diário e também com muitas renúncias. Mas me sinto privilegiada e realizada por isso.

– Sobre empreendedorismo feminino, que conselho você dá para mulheres que desejam empreender na área jurídica?

O empreendedorismo na área jurídica como fenômeno de mercado é bastante recente. Não se falava na Universidade em se preparar para gerir uma sociedade, mas, sim, em estudar o Direito e, quando bem formado, especializado ou generalista, ter um lugar para atender as pessoas e resolver seus problemas jurídicos quando estas lhe procurassem.

Hoje sabemos que, além de ser bom profissional da área jurídica, você também precisa ser gestor. O empreendedorismo feminino na área jurídica não é simples. Nosso Sistema de Justiça ainda é masculino, mesmo sendo as mulheres a maioria nas Universidades, porque no mercado de trabalho há ainda muita distinção de cargos e salários entre homens e mulheres.

Ao empreender nosso próprio negócio, sempre somos frequentemente indagadas se o sócio é homem. Um dia escutei de um cliente que me faltava musculatura masculina. Nunca entendi o que ele queria dizer (rsrsrs). Era a advogada na região mais preparada no assunto, mas só me validaria através de um homem que me daria credibilidade. Infelizmente, ainda há essa mentalidade e o antídoto é nos espelharmos umas nas outras. Precisa muita resiliência e capacidade de adaptação, mas, sobretudo, quando alcançamos postos de destaque, que possamos incentivar outras mulheres, auxiliando no acesso aos escritórios e às empresas.

– O que esperar do futuro?

Na advocacia há um grande processo de mudança, especialmente na área tecnológica. Tudo muda muito rápido e exige adaptação permanente. Os tempos de pandemia mudaram drasticamente a vida das pessoas, e, muito em particular das sociedades de advogados. Espaços muito grandes deram lugar a escritórios menores e mão de obra em teletrabalho, o que exigiu equipamentos, redes, e a adaptação num modelo mais informal e sem presença física nos fóruns e tribunais. Se de um lado é muito bom porque nos permite estarmos em diversos tribunais sem deslocamento físico, de outro lado o trabalho remoto a longo prazo se revela perigoso à nossa saúde mental. O desafio no futuro é encontrar uma maneira de conciliar distância e presença, contato físico e contato eletrônico, vida isolada e vida social. Somos seres humanos e precisamos estar uns com os outros.

– Sobre inspiração, que mulheres te inspiram?

Minha mãe sempre foi a inspiração e a certeza que trabalhar é uma forma de independência e empoderamento. Que o ideal é ter um companheiro que divida nossa dupla jornada, mas quando não temos, também é possível conseguir.

Minha filha, com quem mais aprendo do que ensino.

E, no cenário público, sou uma admiradora de Chiquinha Gonzaga, compositora, pianista e uma mulher à frente de seu tempo, autora da marchinha “oi abre alas que eu quero passar”, que para mim é emblemática. Temos muitas brasileiras inspiradoras, dentre as quais, Cecília Meireles, Cora Coralina, Clarice Lispector, Irmã Dulce. No meio jurídico, a primeira Mulher a ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, a Ministra Ellen Gracie Northfleet.

– Você está envolvida em algum projeto especial hoje?

Meu projeto mais recente e que também é um propósito de vida é a saúde mental. Com a síndrome de Burnout reconhecida como doença ocupacional, é um desafio para empreendedores saber como transformar o ambiente de trabalho em um ambiente que proporcione bem estar, e em especial, sem assédio. É fundamental que se encare a prevenção e cuidado das doenças emocionais tais como depressão, ansiedade, burnout como uma política estratégica das empresas. É certo que os afastamentos do trabalho e a melhora da produtividade são resultados imediatos. Mas a melhoria da nossa sociedade como um todo é o maior ganho de todos.

– Fale um pouco mais sobre a sua história com o escritório Krieger Advogados e Associados.

Estamos comemorando neste ano 25 anos de sociedade. Aliada à minha formação acadêmica e tese publicada em livro sobre a judicialização da saúde, dedicamos nossa expertise ao longo dos anos a uma advocacia relacionada ao direito da saúde e direito médico. Além disso, aliando a experiência do público e privado, também atuamos em licitações, contratos públicos e improbidade administrativa.

Essas áreas foram resultado de meus estudos e do exercício da advocacia, pois as sociedades profissionais, no meu entender, refletem a expertise e a experiência dos sócios, que além de empreendedores são os detentores do conhecimento jurídico para atender aos clientes em um propósito de justiça. Também atuamos em causas complexas relativas a direito de família e sucessões e compliance nas empresas.

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OCP News Vale

Publicação da Rede OCP de Comunicação