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“Meta é deixar as contas em dia”, diz secretário

Prefeitura busca equilíbrio entre a queda na receita e aumento das demandas no setor público - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online

Por: OCP News Jaraguá do Sul

07/09/2016 - 04:09 - Atualizada em: 08/09/2016 - 15:07

Enquanto o fim do ano se aproxima e a corrida eleitoral ganha corpo, a atual administração de Guaramirim luta para manter as contas em dia e garantir um orçamento equilibrado para o próximo gestor. No mês de agosto, o município amargou uma queda de R$ 469 mil na arrecadação, cenário que vem se repetindo mês após mês.

Para manter as contas em dia, a administração tem enxugado os custos da máquina pública. Revisões de contrato, cortes em cargos comissionados e revisão de processos estão entre as ações adotadas. Segundo o secretário de administração e finanças, Denilson Weiss, os esforços devem continuar até o último minuto do mandato de Lauro Fröhlich, mesmo que isso represente tomar decisões pouco simpáticas. Em entrevista, Weiss faz um balanço das contas do município e fala sobre os reflexos da crise econômica na gestão.

Qual é a previsão orçamentária para este ano?
Temos trabalhado com um planejamento que usa como base o histórico de arrecadações. É preciso ter este acompanhamento para caminhar conforme a receita autoriza. No meio do caminho, porém, temos a crise que nos traz algumas surpresas. Em agosto, tivemos uma redução de R$ 469 mil na arrecadação de impostos, em relação ao mês anterior. Temos uma previsão de receita corrente líquida de R$ 111 milhões para o ano, e até agora arrecadamos R$ 67,8 milhões. Nossa despesa corrente prevista para o ano segue os R$ 111 milhões, porque é preciso ser igual à arrecadação. Mas, até agora, a despesa já somou R$ 68,8 milhões. Então, estou hoje no vermelho em cerca de R$ 1 milhão.

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A expectativa é que as contas atinjam um equilíbrio?
O que estamos tendo que fazer é “enxugar gelo”. Nós economizamos, mas por conta da queda de receita, novamente não conseguimos fechar as contas. Isso não é uma exclusividade do município, é algo que vem acontecendo em todo o Brasil. Todo o mês a receita cai um pouco. Agosto teve a maior queda do ano, em relação ao mês anterior. Até o fim do ano, avaliamos que será preciso uma economia de R$ 1,5 milhão para poder zerar as contas. Esse é o nosso desafio porque já fizemos muitos cortes.

Que medidas foram tomadas para reduzir os custos?
Adotamos a diminuição de cargos comissionados, temos a autorização para ter até 137, mas hoje temos 72. Reduzimos as horas extras, custos com telefone, cursos são feitos somente os estritamente necessários. Tivemos reajuste nos contratos, como de aluguéis, por exemplo, tentando segurar ao máximo os valores. A redução do turno de oito para seis horas, para economizar com energia e outros aspectos. Temos ainda uma comissão que analisa semanalmente as despesas. Hoje, todos os fornecedores contratados durante o mandato atual estão em dia.

Isso significa que existem atrasos da gestão anterior?
Sim, temos ainda um atraso de R$ 1,2 milhão do mandato de 2012, referente ao pagamento de fornecedores. No total, quando assumimos, havia R$ 8 milhões em aberto. Destes, nós pagamos R$ 6,8 milhões. Na época foi feito um decreto que previa o pagamento de até 5% da receita corrente líquida do ano. Temos conseguido manter o pagamento em dia para cumprir o decreto.

Este valor é a parte daqueles relacionados ao orçamento, mencionados anteriormente?
Sim, esse valor é a parte. Mas, de um jeito ou de outro, nossa meta é deixar as contas em dia. Não vou colocar o meu nome a perder para dizer que fizemos isso ou aquilo. No que precisa serão feitos cortes, sendo esta decisão simpática ou não. Pelo menos R$ 10 milhões em economia alcançaremos este ano [frente ao orçamento previsto].

Como está a capacidade de investimento do município?
A capacidade de investimento varia de ano a ano. Hoje, a nossa está em cerca de 3% da receita. Quando assumimos, estava em cerca de 4,5%, o que tem muito reflexo da inflação. A receita estacionou e as despesas aumentaram, e hoje o mesmo produto custa bem mais caro do que há dois anos. Para poder manter tudo tivemos que diminuir os investimentos, até porque a manutenção está mais cara.

Você pode exemplificar em números esse reflexo?
Em 2013, Guaramirim arrecadou R$ 89 milhões, número que passou para R$ 98 milhões em 2014. De 2014 para 2015, entretanto, a arrecadação caiu R$ 300 mil, indo de R$ 98,056 milhões para R$ 98,029. Ano passado tivemos uma inflação de 11,27%. Este ano, além de não crescer em arrecadação, tivemos uma inflação de 9%. São 20% que andamos para trás. E é preciso ter em mente que as demandas crescem. Precisamos de mais medicamentos, mais materiais para a educação. Em média, 350 crianças entram na rede municipal de ensino todos os anos. Há também o reajuste dos servidores. Temos que fazer cada vez mais com menos. A máquina tem que continuar girando. A situação é difícil para todos.

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OCP News Jaraguá do Sul

Publicação da Rede OCP de Comunicação