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Os desafios da mulher em um setor predominantemente masculino

Crédito: Divulgação

Por: OCP News Vale

17/03/2022 - 08:03 - Atualizada em: 22/03/2022 - 14:40

Quando começou no setor de TI, em 1984, Maria Ignêz Keske lembra que a informática era um tabu para as pessoas e empresas, sobretudo para as mulheres. “Era muito diferente uma mulher à frente na área comercial em feiras e eventos”, recorda. Sócia da WK Sistemas, natural de Ituporanga, mas radicada em Blumenau desde 1981, foi aqui que ela desenvolveu sua carreira enfrentando diversos desafios e preconceitos, o que nunca foi problema para ela. “Fiz do preconceito e discriminação uma oportunidade para avançar e seguir em frente. Vou citar um fato que ilustra isso, mas existem muitos outros: quando fui para o mercado, apresentar o primeiro software da WK, isso em agosto de 1985, as mulheres presentes na feira eram recepcionistas e/ou de serviços de apoio, exceto uma linda mulher loira e sócia da WK”, conta.

Os homens paravam para ver sua apresentação, se divertiam com o sotaque um pouco germânico e sulista, mas davam atenção ao que ela apresentava. “Não foram poucos os negócios que fechei naquela feira, vendas diretas, com cheques e pedidos assinados, mas, principalmente e o mais importante, o início da rede de canais de distribuição da WK, que são nossos parceiros comerciais fortes até hoje. Isso não me intimidava, eu tirava vantagem da curiosidade e preconceito dos homens. Estabelecia uma relação de respeito e confiança que são valores que estão no nosso DNA desde a criação e permanecem mais firmes do que nunca”.

Como empresária e sócia da WK, Maria Ignêz representa 40% da sociedade composta por quatro sócios, sendo uma mulher e três homens. Tornou-se empresária em 1984, com 25 anos e, desde então, construiu uma empresa inovadora, pioneira em muitas tecnologias, sólida, com valores que se mantêm nesses mais de 38 anos de atuação.

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Graduada em Economia, com duas pós-graduações – uma em Contabilidade e Auditoria e outra em Psicodinâmica de Negócios – a empresária fez diversos cursos de aperfeiçoamento nas mais diversas áreas, mas principalmente nas áreas de Gestão de Pessoas, Comercial, Marketing e Tecnologia. Viajou para inúmeros países para participar de feiras e eventos de tecnologia, visando sempre aprender, atualizar e, principalmente, aplicar nas soluções e produtos da empresa. No auge das feiras de Tecnologia, chegou a participar de 38 feiras num único ano.

– Conte um pouco sobre a sua trajetória e participação profissional em um setor predominantemente masculino.

Sou uma pessoa que sempre conviveu no mundo masculino, seja na família (mais velha de 9 filhos, tendo uma irmã e 7 irmãos); Na faculdade de Economia (5 mulheres e 45 homens); isso em 1977/1980. Fui a primeira colocada no curso, onde recebi prêmios como economista. Trabalhei numa grande Metalúrgica (como compradora, sendo a única mulher no setor e pouquíssimas na administração), e numa grande corretora de seguros, como assessora financeira, já com mais mulheres, porém ainda com a predominância de homens.

Nada do que sou ou fiz, foi sozinha. Sempre foi com apoio, em equipe e com a participação de homens e mulheres, que construímos essa história. Sou muito grata a todas e todas que dela participaram, participam e participarão na construção de caminhada, seja pessoal, empresarial ou social.

Antes de me tornar empresária, cuidei dos meus irmãos desde pequena. Comecei a vender leite, nata e hortaliças aos oito anos de idade para ajudar no sustento da família. Trabalhei na lavoura ajudando meus pais no período em que não estava na escola. Perto dos 13 anos comecei a trabalhar numa verdureira da família, que evoluiu para uma mercearia, isso já em Timbó, quando passei a trabalhar durante o dia e estudar à noite. Aos 18 anos fui atuar como compradora numa empresa Metalúrgica em Timbó. No último ano da faculdade, me mudei para Blumenau para trabalhar numa grande corretora de seguros, como assessora financeira e três anos após iniciei minha jornada de empresária do Setor de TI onde estou até hoje. Todo esse aprendizado, vivenciado na prática, foi extremamente útil para me tornar a empresária que sou hoje.

– O que esperar do futuro?

Quanto ao futuro, ele é desafiador, cheio de oportunidades e de incertezas. Se perguntassem isso para mim em 1965, eu diria a mesma coisa. A minha experiência de vida mostrou isso. Foram muitos os desafios superados, num mercado altamente inovador e desafiador, sem falar em economia, política e legislações confusas, um Judiciário que traz muita insegurança aos negócios e às pessoas. Outro quesito a se levar em conta é a educação, as novas gerações… e assim vai indefinidamente.

Desafios são diários…

Superações são diárias…

Estudar, se atualizar, inovar são diários…

Estar no mercado altamente competitivo, inovador e tecnológico não é para pessoas fracas!

– Quais mulheres lhe inspiram?

Uma mulher que me inspirou muito foi a indiana Indira Gandhi. Outra mulher por quem tenho muito carinho, admiração e inspiração é a Alda Niemayer, a querida Vovó Alda, como me refiro carinhosamente a ela.

– Que mensagem deixaria para as mulheres neste mês em que comemoramos o Dia da Mulher?

Ser empresária requer muita persistência, confiança, superação, lidar com incertezas de todas as formas diariamente. Os riscos são muitos, vindos de todos os lados. Desistir não é uma opção!

– Você já chegou a se sentir incompreendida como mulher exercendo um papel de liderança?

O que me incomoda é a incompreensão de muitas pessoas, seja na família, na empresa ou fora dela, com relação a minha forma de agir, de resolver/superar as dificuldades ou problemas e por ser responsável, forte e determinada. Atitudes consideradas um “tanto masculinas” até por ser líder e empresária e, principalmente, por conviver muito no mundo essencialmente masculino ainda, infelizmente. Por trás dessa mulher forte nos negócios e na vida empresarial, existe uma mulher frágil, doce, carinhosa, atenciosa, mãe, filha, esposa e sócia de um autista, companheira, amiga, mãezona, entre tantos outros papéis, não percebida por muita gente, principalmente as mais próximas. Isso chega a magoar em muitos momentos. É um preço bem alto que se paga por ser bem sucedida, desconhecido totalmente do mundo ideal das mídias sociais.

– Quais as principais conquistas da WK Sistemas que você destacaria?

São incontáveis as conquistas e ações inovadoras, tanto em tecnologia mas principalmente na valorização do ser humano, nesses anos todos:

  • 6 prêmios ASSESPRO (a principal entidade do setor) de melhor software do país em nossa área;
  • 5 Menções honrosas vindas da Assembleia Legislativa de SC e do Poder Público Municipal de Blumenau;
  • Várias outras premiações vindas de diversas entidades: Sucesu, Seprosc, Blusoft, Fenasoft, Senac, Fiesc, entre tantos outros não só na área de tecnologia, mas também do meio-ambiente, da área cultural, educacional e entidades patronais.
  • Em plena pandemia conquistamos a primeira certificação GPTW já em 2020 e em 2021 fomos ranqueados com a 62ª colocação Nacional entre todas as empresas com até mil colaboradores do Setor de tecnologia do País e a 10ª empresa ranqueada de Santa Catarina, incluindo todos os setores da economia Catarinense.

Também destaco as entidades de classe, onde atuei muito em prol do crescimento econômico do setor (Blusoft, Assespro/SC, Sucesu-SC, Seprosc) e da sociedade organizada (ACIB, FURB, CEME, Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul, CRB, RENER). Fui uma das poucas mulheres participantes nessas diretorias e conselhos. Para se ter uma ideia, fui a primeira mulher a fazer parte da Diretoria da ACIB, em 1997, numa entidade empresarial centenária.

– Como é a participação das mulheres na WK?

Acredito no crescimento das mulheres atuando cada vez mais forte no setor de Informática e TI, embora esteja acontecendo mais lentamente do que eu previa. Sempre incentivei muito, principalmente na liderança. Nossa meta nesse quesito até agora não foi alcançada, simplesmente porque não há esses profissionais no mercado. Percebemos isso nos cursos da área, nos estágios de aprendizagem técnica e nos currículos recebidos.

Hoje na WK Sistemas, temos:

– Quadro de colaboradores:

38% mulheres e 62% homens;

– Gestores (incluindo sócios):

39% mulheres e 61% homens.

Temos na WK um comitê denominado “Todos Nós”, que promove a inclusão. Começamos um processo sucessório em 2010 e em 2018 intensificamos esse processo com a criação de duas diretorias não societárias, promovendo uma mulher e um homem à frente da Direção da empresa, além da criação do Conselho de Sócios. Recentemente, meus filhos Wanessa e Wilson passaram a ser sócios efetivos da WK, dando mais um passo na direção da sucessão.

Maria Ignêz é a terceira entrevistada da segunda edição do Projeto Mulheres que Inspiram, idealizado pela Contax Contabilidade e Planejamento Tributário, com o apoio da Presse Comunicação Empresarial e do Portal de Notícias OCP News – Vale do Itajaí.

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Publicação da Rede OCP de Comunicação