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Prefeitura de Florianópolis usa tecnologia para agir antes dos alagamentos

Foto: Divulgação/PMF

Por: Ewaldo Willerding Neto

09/09/2026 - 14:09

A Prefeitura de Florianópolis, através da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Sanapp – Gestão inteligente de ativos de saneamento, realiza o cadastro georreferenciado das estruturas de drenagem urbana e de esgotamento sanitário do município.

Na prática, esse processo permite a videoinspeção das redes públicas municipais e o cadastro de bocas de lobo, poços de visita e demais estruturas do sistema, fazendo um “raio x” da situação da rede e antecipando riscos relacionados à alagamentos, obstruções e demais falhas relacionados ao escoamento e esgotamento.

No Centro de Valorização de Resíduos (CVR), no Itacorubi, uma obstrução na rede de microdrenagem alagava a entrada a cada chuva forte. A causa estava embaixo do asfalto e sem localização definida. Depois do mapeamento da rede, a equipe identificou o ponto exato e executou o reparo.

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“O conhecimento exato do ponto obstruído permitiu a execução precisa do serviço de manutenção, sem quebra excessiva de asfalto e sem a necessidade de busca pelo local do reparo. Usamos ferramentas e equipamentos tecnológicos para chegar em pontos mais difíceis, onde monitorar com um técnico, olho humano, seria mais caro, danoso à estrutura e demorado”, afirma o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.

As ações integram o conjunto de medidas da Prefeitura para o enfrentamento dos efeitos do El Niño, fenômeno associado ao aumento do volume de chuvas na Região Sul do país. Com as redes mapeadas e inspecionadas, a Secretaria passa a dispor de um diagnóstico prévio das condições do sistema de drenagem, o que reduz o tempo de resposta em episódios de chuva intensa.

“A Sanapp dá à Prefeitura uma leitura precisa do que existe embaixo do asfalto. Saber onde está cada boca de lobo, cada poço de visita e em que condição se encontra a rede, permite que a Secretaria atue antes do problema aparecer na superfície, e não apenas depois do alagamento. Aliado às outras medidas que já estão encaminhadas, especialmente com a limpeza hidrográfica feita todos os dias, essa nova tecnologia nos ajuda muito nesse período”, destaca o subsecretário de Saneamento Básico, Bruno Vieira Luiz.

A ferramenta permite identificar rachaduras, obstruções e outros problemas nas redes e também possibilita aferir com precisão o tamanho, o material e a localização das redes de drenagem e esgoto, informação que passa a orientar o planejamento das intervenções.

Foto: Divulgação/PMF

Outra frente tecnológica já em operação é o robô Bizu que através de imagens, em tempo real, localiza ligações irregulares de esgoto nas galerias pluviais e identifica suas origens, além de reduzir o tempo de diagnóstico e o custo das correções na estrutura sanitária da cidade. O equipamento de fiscalização subterrânea é constituído de quatro rodas, luzes e câmera de alta resolução, conduzido por controle remoto com auxílio de óculos de realidade virtual, além de utilizar as próprias tubulações como percurso, com acesso aos pontos mais profundos das redes de saneamento, a até 70 metros.

“Antes de uma cidade ser inteligente, ela precisa ter dados. Ainda são poucas as cidades brasileiras que conhecem, de forma estruturada e georreferenciada, suas redes de saneamento. Queremos ajudar Florianópolis a ser referência nesse caminho, transformando dados em diagnósticos e análises preditivas que apoiem decisões mais precisas e ações preventivas, contribuindo diretamente para a qualidade de vida da população”, afirma Igor Puff Floriano, CEO da Sanapp.

O desenvolvimento da Sanapp foi viabilizado por meio de editais de incentivo à inovação, como o Programa de Incentivo à Inovação de Florianópolis, demonstrando a força do ecossistema de inovação catarinense. Além disso, a startup participou do Living Lab 5G, que possibilita que empresas de tecnologia implantem suas soluções inovadoras em um ambiente urbano real, com o objetivo de testá-las e validá-las junto aos seus potenciais clientes e usuários. O foco deste procedimento é o cadastramento de empresas que apresentem propostas de soluções inovadoras com o uso da tecnologia 5G.

Próximos capítulos da parceria

Entre as possibilidades em estudo para ampliar a inteligência da gestão urbana, está a integração da plataforma Sanapp com sensores de monitoramento hidrológico capazes de acompanhar, em tempo real, o comportamento da rede de drenagem do município. A tecnologia permitiria identificar variações nos níveis de água e outros indicadores críticos, contribuindo para a antecipação de situações de risco relacionadas a alagamentos e transbordamentos em pontos estratégicos da cidade.

Caso a implementação seja viabilizada futuramente, a funcionalidade poderá fortalecer a capacidade de resposta dos órgãos municipais, fornecendo informações preditivas para apoiar a tomada de decisões em eventos climáticos extremos. A iniciativa está alinhada às tendências de cidades inteligentes e à utilização de dados em tempo real para aumentar a eficiência da gestão pública, ainda mais, em cenários de chuvas intensas e fenômenos climáticos que demandam monitoramento constante da infraestrutura urbana.

 

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.