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Desemprego provoca queda na renda média do catarinense

Foto: Eduardo Montecino/OCP Online

Por: OCP News Jaraguá do Sul

24/08/2016 - 04:08 - Atualizada em: 26/08/2016 - 09:40

O aumento nos índices de desemprego do Estado tem refletido cada vez mais no bolso dos trabalhadores. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), do IBGE, o rendimento médio real do catarinense vem encolhendo gradativamente nos últimos anos.

Para se ter uma ideia, no segundo trimestre de 2016, a renda média do Estado ficou em R$ 2.048, o menor valor desde 2012, quando teve início a série histórica da Pnad Contínua. No final de 2014, o rendimento médio do catarinense chegou a R$ 2.309, uma queda de 11%.

No segundo trimestre do ano, a taxa de desocupação em Santa Catarina chegou a 6,7%, o índice mais alto da série histórica. No segundo trimestre de 2015, a taxa de desocupação era de 3,9%. Em outras palavras, até junho 242 mil pessoas estavam desempregadas no Estado, 100 mil a mais do que o número registrado no mesmo período do ano passado. Ainda assim, o Estado possui o menor índice do País – em junho, a média nacional ficou em 11,3%.

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De acordo com o economista e professor da Católica, Jamis Antonio Piazza, três fatores influenciam diretamente no poder aquisitivo dos trabalhadores: a inflação, o desemprego e a precarização do trabalho. “Enquanto por um lado parte da população está sem renda ou com a renda reduzida, por conta de acordos ou por ter que assumir um emprego com remuneração inferior, a alta inflação faz com que o nosso salário valha menos, impulsionando a perda do poder aquisitivo”, explica ele.

Na semana passada, o Banco Central divulgou que a estimativa do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano permaneceu estável em 7,31%. O índice mede mensalmente a variação de preços no comércio para o público final e é considerado o índice oficial da inflação. A estimativa permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas e distante do objetivo central de 4,5% fixado para 2016.

Conforme Piazza, a queda no rendimento médio dos trabalhadores interfere de maneira extremamente negativa no mercado. Isso porque a redução nos ganhos estimula a queda no consumo, que já está baixo no País. “Com menos consumo, temos menos produção e menos emprego. Em uma cidade como Jaraguá do Sul, a indústria é a grande responsável pela geração de empregos. Se ela não produz, o comércio, que depende deste resultado, sente ainda mais o impacto”, avalia.

Jaraguá do Sul registrou perdas significativas em termos de emprego nos últimos meses. Foram 5.889 vagas fechadas entre junho de 2015 e junho de 2016, segundo dados do Caged. Só no primeiro semestre deste ano, o saldo ficou negativo em 1.186 postos.

 

Gráfico 1 - Fonte Pnad Contínua IBGE

Gráfico 2 - Fonte Pnad Contínua IBGE

Recuperação da economia será lenta, dizem especialistas
Diante do cenário, o que se sabe é que a queda foi rápida, mas a retomada será lenta. De acordo com Piazza, as previsões mais otimistas devem ficar para o ano que vem, enquanto a retomada mais significativa deve ser alcançada somente em 2018. Segundo o presidente da Fecomércio de Santa Catarina, Bruno Breithaupt, o que se observa no Estado é uma desaceleração gradativa no ritmo de queda, mas que ainda demanda tempo para ser inteiramente revertida. Em junho, por exemplo, o comércio varejista apresentou diminuição de 5,8% no volume de vendas, mas o índice significou uma melhora de 1,2% frente ao resultado de maio.

Esta semana, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) divulgou uma sondagem industrial que mostra que, apesar do volume de produção fraco, o emprego caminha para a estabilidade no setor, apresentando desaceleração da queda. O índice de confiança dos empresários catarinenses também melhorou, passando de 46,9 pontos em julho para 51,1 pontos em agosto. É a primeira vez desde janeiro de 2014 que o índice supera a marca dos 50 pontos.

Nível de endividamento das famílias fica estável
Outro dado que confirma o quadro é a estabilização do nível de endividamento das famílias catarinenses, que passou de 57,4% em junho para 57,1% em julho. Em entrevista à Agência AL, o gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Fecomércio, Elder Arceno, avaliou que a estabilização do dólar, da inflação e das dívidas mostra que “atingimos o fundo do poço” e acredita que o turismo deva auxiliar no incremento das vendas durante o período de final de ano. Hoje, 60% das famílias catarinenses possuem dívidas que comprometem de 11% a 50% da renda familiar.

“Todo esse conjunto provoca uma mudança no comportamento do consumidor. Por isso, o trabalho do empresário é identificar aquilo que efetivamente atrai os clientes e aproveitar o momento para reavaliar e reinventar os seus processos. Estas mudanças são necessárias, tendo em mente que não existe a possibilidade de reverter o cenário de um mês para o outro”, analisa Breithaupt.

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OCP News Jaraguá do Sul

Publicação da Rede OCP de Comunicação