Em Santa Catarina, 23,9% dos bares e restaurantes não vão conseguir se recuperar da crise provocada pela pandemia da Covid-19 e terão que reduzir ou fechar as portas se não tiverem auxílio em 2022.
O levantamento faz parte de uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) divulgada nesta quinta-feira (17).
Mesmo dois anos após o início da crise sanitária, 70,5% dos bares e restaurantes de Santa Catarina seguem com uma rentabilidade menor em comparação ao período anterior.
Uma sondagem feita junto a 126 empresas do setor em Santa Catarina apurou que 71,4% solicitaram financiamento pelo Pronampe e, dessas, apenas 14,4% conseguiram recursos. Das que não conseguiram crédito, 96,7% informaram que não terão condições de manter atividade até o início do ano que vem, o que representa 55% do total de entrevistadas.
Entre os motivos apontados pela entidade como causas para a diminuição do lucro das empresas estão a queda no fluxo de clientes, a alta no preço dos alimentos e os juros de dívidas contraídas por conta da pandemia.
Com relação ao atendimento ao público, nem mesmo a temporada de verão de 2022 superou as vendas de anos anteriores, apesar da expectativa dos empresários.
Segundo o levantamento, 60,8% dos estabelecimentos tiveram fluxo igual ou inferior a antes da pandemia. Entre eles, 26,1% tiveram movimento muito pior que antes de 2020, que contou com fluxo regular de clientes.
Para 58% dos donos de bares e restaurantes, o fluxo de turistas durante a última alta temporada foi inferior a outros anos. A circulação de visitantes em cidades catarinenses foi igual em 2020 e 2022 para 23,2% dos entrevistados e considerado maior em 18,8% das avaliações.
A Abrasel estima que o pico de contágio da Covid-19, provocado pela disseminação da variante Ômicron, no período pós-festas contribuiu para a diminuição do número de viajantes no Estado.
A rentabilidade dos bares e restaurantes segue prejudicada também pelo encarecimento dos alimentos. Alguns dos principais insumos, como carnes bovinas e laticínios tiveram aumentos de 40% e 30% no valor, respectivamente.
As altas que impactam o setor são maiores que o acumulado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2021, que fechou o ano com variação de 10%. O índice é responsável por medir a inflação no Brasil e calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O presidente da entidade, Raphael Dabdab, alerta que o setor precisa de crédito e outras ajudas financeiras, como a isenção tributária, pelo menos parcial, para sobreviver a esse período crítico. Conforme o levantamento, das empresas que buscam financiamento e ainda não foram atendidas, 73,3% também não estão conseguindo arrecadar impostos.
Diante desse cenário, a entidade reivindica empenho dos governos municipais, estadual e federal para viabilizar ajuda financeira. Segundo Dabdab, além de mais crédito pelo Pronampe ou por outras linhas, o Estado pode ajudar com isenção de ICMS e o município, com isenção da taxa de resíduos e IPTU.