A confirmação de Carlo Ancelotti sobre a mais recente convocação da Seleção Brasileira para a próxima data Fifa levantou mais do que algumas sobrancelhas. Nomes experientes como Casemiro ficaram de fora, dando lugar a talentos novos e ainda não testados. E essa mudança de política ficou mais evidente nas escolhas para a posição de goleiro.
Com Alisson totalmente fora da lista, um entre Hugo Souza, Pedro Morisco ou Otávio vai defender o gol nos jogos contra Austrália e Índia. O quanto serão testados, porém, é uma incógnita, já que a Seleção é apontada como favorita entre as melhores casas de apostas do Brasil.
No entanto, com Ancelotti de olho na construção de uma equipe que possa brilhar na Copa do Mundo de 2030, a chance de qualquer um dos três substituir Alisson — que terá 37 anos na época do próximo torneio — está lá, pronta para ser aproveitada. Mas qual deles tem mais chances de conseguir isso?
Hugo Souza – a opção experiente
Estreando pela Seleção Brasileira numa derrota por 3 a 2 para o Japão, em outubro de 2025, Souza já sai na frente dos concorrentes nesse quesito. Sendo cinco anos mais velho que Morisco e Otávio, e com muito mais jogos disputados em competições como a Libertadores, ele pode lidar melhor com a pressão de vestir a amarelinha do que os outros dois.
Ele também é fisicamente mais imponente, com 1,99m de altura, enquanto Morisco e Otávio são um pouco mais baixos. Mas, aos 27 anos, Souza parece ser uma opção para o presente e para 2030, mais do que uma aposta de longo prazo além desse ponto. Também existe quem defenda que Souza já atingiu o seu teto, e que talvez seja melhor priorizar um jogador que esteja numa fase mais inicial da carreira, mas com potencial para se tornar verdadeiramente de elite.
Pedro Morisco – o garoto de confiança do Coritiba
Estreando no Brasileirão pelo Coritiba com apenas 19 anos, Pedro Morisco tem sido peça fundamental nas bases do Coxa desde 2023. Com mais de 100 jogos disputados pelo clube ainda aos 22 anos, ele já acumula experiência no alto nível, além de reunir todos os atributos de um grande goleiro, com uma média de 4,36 defesas por jogo.
Ancelotti vai querer que o seu goleiro participe da construção de jogadas da equipe, e embora Morisco seja bom com a bola nos pés, seu percentual de acerto de passes no Brasileirão é de apenas 58%, então ele ainda tem trabalho a fazer nesse aspecto. Mas não há dúvida de que ele tem potencial a desenvolver, e ainda pode crescer até se tornar o goleiro titular da Seleção, apesar da sua pouca experiência no cenário internacional neste momento.
Otávio – a promessa impressionante
Antes de 2026, Otávio vinha se desenvolvendo nas categorias de base do Cruzeiro, mas, ao receber a chance de se tornar o goleiro titular da equipe, ele agarrou a oportunidade com as duas mãos. Foi peça-chave na campanha que levou o time às oitavas de final da Libertadores, e também se destaca no ranking de gols evitados no campeonato nacional, evitando três gols a mais do que os analistas esperavam que ele sofresse.
Ancelotti pode estar disposto a priorizar a juventude, e o talento certamente existe para que Otávio se torne um jogador de elite, mas talvez colocá-lo já sob os holofotes da Seleção seja cedo demais em seu desenvolvimento. Ele disputou menos de 30 jogos como profissional pelo Cruzeiro, e uma estreia ruim poderia abalar sua confiança e atrapalhar seu desenvolvimento imediato. Existe, sem dúvida, um argumento de que o Brasil precisa ter paciência com Otávio e avaliar sua condição como goleiro titular de longo prazo em um momento mais adiante.