De Jaraguá do Sul para um dos palcos mais cobiçados do triatlo mundial. É nesse cenário que Julia Quarezemin encara, neste fim de semana, o Campeonato Mundial IRONMAN 70.3, em Nice, na França.
A cidade, considerada o berço do triatlo de longa distância na Europa, será o palco da tradicional prova de 1,9km de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida, em um cenário mediterrâneo incomparável.
A largada será nas águas azuis da Côte d’Azur, seguida percurso de bike pelo interior dos Alpes-Maritimes, marcado por longas subidas. Por fim, a corrida será disputada pela Promenade des Anglais, uma das paisagens mais conhecidas de Nice, diante de uma multidão de torcedores.
Julia chega a competição internacional respaldada por grandes resultados. Atualmente, ocupa a segunda colocação do ranking catarinense de triatlo, já foi campeã brasileira Sub-23 de Sprint e acumula oito participações em provas de IRONMAN 70.3, sendo o segundo Mundial.
Agora, toda essa experiência será colocada à prova em Nice.
“Por trás de cada treino, cada competição, cada pódio, cada dia difícil e cada sonho, existem tantas pessoas caminhando comigo. Cada pessoa que, de alguma forma, colocou um pouquinho de si nessa jornada também faz parte desse Mundial”, afirmou a jaraguaense.

Foto: Arquivo pessoal
Subidas como desafio
O percurso de ciclismo foi um dos principais focos da preparação de Julia. Segundo o técnico Fernando Couto, as características do circuito francês são bastante diferentes daquelas encontradas nas provas realizadas no Brasil.
“Esse Mundial tem uma característica diferente das provas realizadas no Brasil. O circuito do ciclismo tem a primeira parte com muitas subidas e uma subida constante de 10km. Portanto, nossa preparação teve treinos específicos pensando nessas características”, contou.
O trabalho não ficou restrito ao ganho de força para enfrentar as montanhas. As descidas também receberam atenção especial, com treinos voltados para a parte técnica. “Foi importante ganhar força para as subidas, mas também um trabalho técnico para as descidas”, explicou.
Outro ponto que exigiu ajustes foi a alimentação. Embora as distâncias sejam semelhantes às provas do circuito brasileiro, a expectativa é de que Julia permaneça mais tempo em competição justamente pelas características do percurso.
O clima também entrou no planejamento. Com a Europa enfrentando períodos de calor intenso, o treinador precisou preparar a atleta para administrar o ritmo, principalmente durante a corrida.
Preparação além das pistas
A preparação física e preventiva ficou sob responsabilidade da Body.lab Assessoria e Treinamento, no comando do professor Nicolas Martins, que trabalhou para aumentar a eficiência dos movimentos e preparar a atleta para as exigências específicas da prova.
O objetivo foi aliar ganho de força e manutenção da massa muscular à capacidade de suportar as diferentes intensidades do Mundial.
“É muito importante para a atleta ter condições de tolerar as intensidades e adversidades da prova, preservando sua eficiência e durabilidade. Para nós, é uma responsabilidade e um compromisso muito grande participar desse projeto com a Júlia. É um trabalho conjunto e multidisciplinar que dá muito certo”, destacou Nicolas.

Foto: Arquivo pessoal