Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Segurança reforçada e regras definidas: Saiba como será o Dia D no STF

Foto: Gustavo Moreno/STF

Por: Ewaldo Willerding Neto

15/09/2026 - 06:09

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, a sessão plenária extraordinária para avaliar a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A Corte analisará o relatório da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça, sobre as mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso neste final de semana. Em nota divulgada na tarde desta segunda-feira (14), a Corte informou que, a príncipio, seguirá o rito de praxe para julgamentos. Após a abertura oficial, será realizada a leitura e a aprovação da ata da sessão anterior, seguida da saudação regimental aos ministros.

Depois, Fachin lerá seu relatório e delimitará o que de fato será julgado. Na sequência, será aberta a palavra para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para as eventuais sustentações orais.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Ainda não foi confirmado se o representante da PGR será o próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet, ou o vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand. As manifestações mais recentes da PGR em meio a troca de ofícios dos ministros foram assinadas por Chateaubriand.

Encerradas as sustentações, o relator apresentará o seu voto. A expectativa é que as preliminares, ou seja, os questionamentos de natureza processual ou formal sobre o relatório sejam avaliadas em seguida.

Após essa etapa, os demais ministros votarão, respeitando a ordem regimental. Ao final do julgamento, o presidente do STF proclamará o resultado oficial.

Existe a possibilidade de que os ministros peçam vista (mais tempo para análise) na sessão desta terça, interrompendo o julgamento. A Corte não informou se, caso isso ocorra, o prazo regimental será cumprido na íntegra. O Regimento Interno do STF estabelece que os ministros podem analisar os autos por até 90 dias após o pedido de vista.

O STF reforçou a segurança para a realização do julgamento. O acesso ao plenário será permitido exclusivamente às pessoas que tiveram a presença confirmada pelo Cerimonial do STF, com entrada realizada pelos locais indicados pela Polícia Judicial. A Esplanada dos Ministérios estará fechada na altura das bandeiras

Todos os pontos de entrada do edifício terão detectores de metais e equipamentos de raio X. Na entrada do Plenário, o público receberá sacolas de segurança com lacre para os celulares, que deverão ser mantidos desligados e lacrados durante toda a sessão.

O uso dos aparelhos é proibido e o rompimento do lacre no interior do plenário poderá resultar na retirada do responsável. Também não será permitido levar ou consumir alimentos e bebidas, e o público deverá permanecer em silêncio, sendo vedadas quaisquer manifestações.

O plano de segurança é executado de forma coordenada entre a Secretaria de Polícia Judiciária, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e as forças de segurança do DF.

A operação abrange compartilhamento de inteligência, avaliação de riscos, revistas, bloqueios, restrição do espaço aéreo e monitoramento por drones.

Para os profissionais de imprensa devidamente credenciados, o acesso estará liberado a partir das 7h. A estrutura para os jornalistas foi montada na marquise do STF, contando com telões, mesas e cadeiras.

Os setoristas cadastrados para a cobertura diária também terão acesso ao Comitê de Imprensa mediante apresentação de crachá. A sessão extraordinária será transmitida ao vivo pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.

Entenda o caso Master e a crise no STF

Como começou a investigação?

As apurações da Polícia Federal deram origem à Operação Compliance Zero, que investiga operações envolvendo o Banco Master e suspeitas de irregularidades financeiras.

O que a PF investiga?

A investigação apura suspeitas de criação de documentos, contratos e operações financeiras que teriam sido utilizados para apresentar ao mercado ativos e créditos em valores superiores aos reais. Também são investigadas operações que, segundo a PF, não teriam lastro.

Qual foi o papel do BRB?

A investigação alcançou operações realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A PF apura a negociação de carteiras de crédito que teriam sido apresentadas como existentes, mas que apresentariam problemas de lastro.

Por que o Banco Master foi liquidado?

O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025, em meio às investigações sobre as operações da instituição. Daniel Vorcaro, então controlador do banco, foi preso durante a Operação Compliance Zero.

Como Alexandre de Moraes entrou no caso?

A apreensão do celular de Daniel Vorcaro revelou mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo passou a ser analisado no contexto das investigações sobre o Banco Master e levantou questionamentos sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.

O que aconteceu entre Moraes e André Mendonça?

André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso Master, passou a analisar os elementos envolvendo as mensagens entre Moraes e Vorcaro. A divulgação de informações da investigação provocou um confronto entre os dois ministros. Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade e pediu a abertura de investigação contra o colega.

Por que a crise aumentou?

Mendonça determinou o levantamento de sigilos de documentos relacionados ao caso e tomou decisões sobre informações produzidas pela Polícia Federal. Moraes, por sua vez, questionou a atuação do colega e apontou o que classificou como seletividade na divulgação dos dados. O conflito passou a envolver também a própria condução das investigações pela PF.

Qual foi a intervenção de Edson Fachin?

O presidente do STF, Edson Fachin, interveio na disputa e determinou que procedimentos com potencial de investigação de ministros da Corte fossem encaminhados previamente à Presidência do Supremo. Com isso, a Petição 16.662, que envolve as informações relacionadas a Moraes e Vorcaro, deixou de ficar sob a condução de Mendonça e passou para a Presidência do STF.

O que será decidido pelo STF?

O plenário do Supremo foi convocado para decidir se existem elementos que justifiquem a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. A análise está prevista para esta terça-feira (15).

E André Mendonça?

Mendonça continua responsável por outros processos relacionados ao caso Master, mas foi afastado da condução específica da apuração que envolve Moraes e Vorcaro. Nesta segunda-feira (14), ele também levantou o sigilo de uma investigação relacionada a pagamentos feitos pelo ex-banqueiro, após determinação de Fachin.

Qual é o ponto central da crise?

Além das suspeitas relacionadas ao Banco Master, o caso passou a expor uma disputa interna no STF sobre os limites de atuação dos próprios ministros, o acesso a informações sigilosas e a forma como eventuais investigações contra integrantes da Corte devem ser conduzidas.

 

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.