RESUMO DA NOTÍCIA
- O presidente da Câmara de Jaraguá do Sul apresentou um projeto de lei que tem a intenção de proibir o uso de canudos de plástico nos estabelecimentos do município
- A justificativa para esta iniciativa seria o impacto ambiental causado pelos canudinhos que demoram cerca de 200 anos para se decompor completamente
- Canudos feitos de outros materiais, como o vidro e o inox, podem servir de alternativa caso a lei entre em vigor
Jaraguá do Sul pode ser uma das próximas cidades do país a ter lei proibindo o uso de canudos de plástico em restaurantes, bares, hotéis e outros estabelecimentos do gênero. Nesta quinta-feira (4), os vereadores aprovaram em primeira votação a proposta municipal, que deve retornar ao plenário na próxima semana para mais um turno de discussão.
O projeto de lei, apresentado pelo presidente da Câmara, Marcelindo Gruner (PTB) e assinado também pelo vereador Jaime Negherbon (MDB), proíbe o uso dos canudinhos de plástico, exceto os fabricados com material biodegradável, nos setores de hotelaria e gastronômicos – incluindo além de restaurantes e bares, também quiosques e ambulantes.
Para que os proprietários possam se adequar à futura lei, a proposta dá o prazo de seis meses (180 dias), contados a partir do dia em que a proposta, já sancionada e transformada em lei, for publicada no Diário Oficial do Município.
Atualmente, são mais de 20 municípios brasileiros, o Distrito Federal e o estado do Rio Grande do Norte que já proíbem o canudinho plástico em seu território.
Plástico leva 200 anos para se decompor
Na justificativa do projeto, Gruner cita dado apresentado em matéria na imprensa comparando o tempo de vida útil do canudinho, de apenas quatro minutos, com o tempo que o material leva para se decompor, cerca de 200 anos.
“Há estudos que apontam grande dano ao meio ambiente e, se considerada a sua relevância, de fato [é] algo que a humanidade pode amenizar, uma vez que não é imprescindível”, diz o presidente, na justificativa. Outra alternativa sugerida é de substituir o canudinho de plástico por outro de material de decomposição mais rápida.
Gruner ainda argumentou durante a discussão do projeto que propostas como essa são tendência mundial e não um modismo de Jaraguá do Sul ou Santa Catarina. Por isso, busca regulamentar também no município a proibição dos canudinhos de plástico.
Os vereadores Celestino Klinkoski (PP) e Arlindo Rincos (PSD) também enfatizaram o dano que o uso desenfreado de materiais de plástico em geral causam também aos animais, muitas vezes ferindo ou causando a morte. “Segundo uma reportagem, em 2050 vai ter mais lixo plástico no mar do que peixes”, destacou Rincos.
A proposta foi aprovada por unanimidade dos vereadores presentes, e deve retornar na próxima sessão para mais um turno de votação. Após esta etapa, o projeto vai ao Executivo, que poderá sancionar ou vetar total ou parcialmente a proposta.
Uso de materiais inovadores é tendência
Para a líder do núcleo de Hospitalidade da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), Cintia Buzian, a proposta para proibir o canudinho plástico é positiva, pela importância da sustentabilidade para preservar o meio ambiente.
“Claro que todo mundo vai ter que se adaptar, e os jovens gostam muito, pois os drinks ficam bonitos, mas com certeza a gente vai encontrar algo para substituir, e pensar realmente no mundo, no meio ambiente”, afirma Cintia.
Embora a mudança exija essa adaptação, a líder acredita que a proposta se trata de uma quebra de paradigma e, portanto, seria necessário pensar no “bem maior” e não apenas no impacto para cada estabelecimento.
Além disso, Cintia avalia que a tendência contemporânea de usar materiais diferentes no setor gastronômico e hoteleiro, como canecas e vidros de conserva para servir drinks, já é algo buscado hoje pelos setores para inovar seu negócio. “Então fica uma questão inovadora, criativa e além de tudo você ajuda o meio ambiente”, ela avalia.
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